sexta-feira, 8 de abril de 2011

Exame de Certificação para Medicina: Eu voto CONTRA!




Exame de Ordem, de Proeficiência, de Suficiência, são vários os termos. É isso o que diz o O Projeto de Lei 4342/04, do deputado Alberto Fraga (PTB-DF), determinando que os médicos recém-formados só poderão exercer a profissão após serem aprovados em exame de certificação regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina.

Pegando carona na declaração da ABEM (Associação Brasileira de Educação Médica), na posição da DENEM (Diretiva Nacional dos Estudantes de Medicina) e no post "Exame de (des)ordem" no blog Internato Médico, vamos tentar esclarecer alguns aspectos totalmente relevantes CONTRA esse tipo de avaliação.

Qual a exata necessidade de fazer um exame de certificação para o curso de Medicina? Os defensores alegam que o índice de preparação iria melhorar consideravelmente. Tendo em vista a responsabilidade médica para com a vida, é inadmissível que exista uma mínima dúvida sequer em relação ao seu preparo profissional.

Agora, espera um pouco: de quem é a responsabilidade de gerenciar a abertura, fiscalização, garantia de ensino, requisitos mínimos para o aprendizado médico e reconhecimento do curso? Pois é, do Ministério da Educação (MEC). O dever de dar suporte ao estudante de graduação, até onde eu sei, é do MEC. Se existem faculdades abertas absurdamente e com condições de estudo precárias, essas mesmas obtiveram sua liberação para funcionamento junto ao MEC. À seguir, alguns argumentos:
  1. É possível avaliar 6 (seis) anos de ensino em apenas uma prova?
  2. Se existem médicos saindo com formação deficiente, o problema é na formação, correto? Este exame irá sanar o verdadeiro problema?
  3. Será que a regulamentação desse exame não proporcionaria uma abertura indiscriminada de cursos? Já que tem o exame, só vai trabalhar quem realmente for bom! Será mesmo?
  4. Já vemos situação semelhante com o curso de direito. Existem inúmeras faculdades funcionando de forma precária, tornando o profissional obsoleto e criticado perante a sociedade. O que vale não é o diploma, sim sua aprovação na OAB. Pra nossa sorte, todos os bons e qualificados, passam. E assim mantém íntegra a profissão.
  5. Se existem faculdades, privadas ou públicas, funcionando de forma errônea ou precária, cabe ao MEC a fiscalização e exigência de perto dos requisitos mínimos para formar profissionais de qualidade.
  6. Não seria melhor uma avaliação continuada nas instituições de ensino, visando diagnosticar as deficiências e cobrar as melhorias?
  7. Deixa eu ver se eu entendi: até agora, o MEC, que não fiscalizou direito a abertura das instituições de ensino superior nem o seu devido funcionamento, agora vai abster-se da culpa, pois o CRM é quem vai dizer - através de uma prova milagrosa -quem está ou não apto ao exercício da medicina.
  8. Essa história de que passar na prova vai servir como um "certificado plus" no seu currículo ainda não me enganou, e a você?
  9. Tá, institui-se a tal prova. Aí vem os "cursinhos". E estes, inteligentemente irão lhe instruir sobre como passar na prova, e só! Vai dizer que fez 6 anos de faculdade, mas o que realmente lhe tornou médico foram as video-aulas nos cursinhos? Pra isso, já existem os cursos para residência, muito instrutivos e objetivos, diga-se de passagem muito bons, mas são apenas complementos à sua graduação.
  10. Ao contrário do que pensam, os números de "erros médicos" crescentes não querem dizer que os médicos estão errando mais. Vários fatores entram aí. Se você vai fazer uma cirurgia plástica e tem problema de quelóide, possivelmente não ficará com uma cicatriz perfeita. Vai lá e processa o médico né? Existe uma grande diferença entre os médicos que são acusados de erro e os que são condenados por erro.
  11. Considere uma pequena diferença no seguinte: não existem mais erros médicos do que antes, apenas os meios de informação propiciam uma gama maior de notícias, muitas dessas, na tentativa de induzir a população.
  12. Sugestão: freia a entrada e fiscaliza o "durante" que o profissional vai sair do jeitinho que todo mundo quer!
  13. Muitos ironizam os alunos que levaram o curso "nas coxas". Sério mesmo que existe alguém aí  crente que é possível passar 6 anos de curso só empurrando com a barriga? Quem fez/faz medicina têm noção da pressão sofrida durante o curso e após também.
  14. O CRM já tem suas responsabilidades de fiscalização do profissional Médico. Jogar-lhe o dever de "filtrar" os aspirantes é só sobrecarga.
O mínimo que se pode pensar em uns 20 minutos de reflexão parte dos argumentos supra-citados. Se formos analisar o que disse o colega do blog Internato Médico - "minha PA sobe 30mmHg só de ouvir alguém dizer: ERA PARA MÉDICO FAZER EXAME DE ORDEM!" -, acho que estamos todos à beira e infartos fulminantes e AVC's.

Resta-me apenas uma prece: São Lucas, protegei seus apadrinhados de suas opiniões!

10 comentários:

InternatoMedico disse...

Foi boa cara! É isso ai... continue com suas postagens massas... abraços meu amigo!

Anônimo disse...

Sou a favor da prova de certificação....principalmente pelos cotistas...

Ray disse...

Eu, como já deixei bem claro, não sou a favor. Mas, o que seria das discussões produtivas sem o outro lado não?

Julio disse...

haha vc e engraçado heim
quem vem de fora tem que fazer uma revalidaçao uma prova absurda n sei se vc deu uma olhada nela.. agora quem ta aki forma nessas faculdades horriveis e precarias e n sabe nem onde que fica um figado (sim eu ja vi um medico recem formado no brasil que flou que o figado ficava no lado esquerdo do corpo ¬¬') podem atuar sem teste nenhum ??! a tah e ai onde ficamos?

Ray disse...

No Brasil, existe um órgão que fiscaliza o ensino superior, o MEC. Ele é responsável por garantir - ainda que de forma falha - a qualidade de ensino, não só para medicina, todos os cursos. Mas esse mesmo MEC não fiscaliza ou tem a mínima noção sob a forma que o ensino é aplicado no exterior, e nem é sua obrigação. A revalidação serve apenas para validar seu diploma em território brasileiro, atestar que seu ensino foi compatível com o aplicado no Brasil e assim liberar o exercício da profissão.
Já vi sim as provas de revalidação e realmente são difíceis, equiparadas ao nível de provas de residência. Esse é o caminho agora, revalidar o diploma para poder exercer a profissão. Eu acho justo, se a prova for justa.

Abraço

Anônimo disse...

Apenas o MEC não é o bastante e nunca vai ser, pois ainda que a faculdade seja a melhor do mundo, o estudante pode cometer erros e pode sair de lá com uma mão na frente e outra atrás.
Esse exame iria nivelar as coisas, melhorar o nível profissional dos médicos, iria acabar com esses maus profissionais, ou ao menos amenizar.
Você sendo um bom profissional que acredito que é, deve é ficar a favor dessa prova, para a própria melhoria de sua classe, e vai servir sim como uma prova para você, uma prova de que você é bom.
Isso deveria ser incentivado, como no direito, nós incetivamos o exame de ordem.

Anônimo disse...

O médico rala, se fode no vestibular pra poder entrar numa faculdade decente.

Foda-se se ele sofreu pra entrar no curso superior, precisa estudar mais e fazer a prova de certificado de médico sim.
Eu não quero confiar minha vida num vagabundo que só estudou pra passar de ano na faculdade, eu quero ser tratado por um cara competente e extremamente qualificado.

Não é problema meu nem da população se médicos de araque ficarão sem poder trabalhar, mesmo formados. Melhor um serviço em pequena escala e bem feito, que um serviço de massa matando milhoes.

Anônimo disse...

Fiz faculdade e vi muitos inaptos ao exercício da profissão passarem nas coxas, entrando para residência e tomando "chopinho" com seus supervisores e com muita vaselina se livrando dos problemas.
Cada paciente que se atende avalia sim seus 6 anos de estudo.
Uma simples prova para alguém que levou a sério a faculdade não será empecilho.
Como voce mesmop diz no item 4:
Já vemos situação semelhante com o curso de direito. Existem inúmeras faculdades funcionando de forma precária, tornando o profissional obsoleto e criticado perante a sociedade. O que vale não é o diploma, sim sua aprovação na OAB. Pra nossa sorte, todos os bons e qualificados, passam. E assim mantém íntegra a profissão.
O mesmo aconteceria com a medicina o que seria ótimo!

Anônimo disse...

Massa sim e concordo plenamente, dara responsabilidade a quem lhe cabe....O MEC que fiscalize e n abra mais faculdades...ai sim a coisa começa a andar...bjuusss...te amoooo. Inhaa.

Anônimo disse...

Isso faz parte da cultura de formação do médico onde não se pode haver questionamento ou se pedir satisfação.

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